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06/05/2008

Mário Meyer

Colaboração no Mundo Corporativo

Cada vez mais podemos ver empresas utilizando modelos colaborativos nos seus processos de criação. Alguns casos são bem famosos, como o Connect+Develop da P&G (Procter & Gamble), onde pessoas externas a corporação podem enviar suas idéias para novos produtos da compania. Alguns estudos de caso mostram que modelos como este podem reduzir os custos de pesquisa de marketing entre 50% e 75%. Outros casos bastante conhecidos são o da Boeing e o MyStarbucks. Ambos pedindo ao mundo que compartilhem suas idéias sobre como melhorar os negócios das respectivas empresas.

Mas acho que nenhum caso é mais impressionante do que o da Goldcorp, uma empresa mineradora canadense que não conseguia mais achar novas jazidas de ouro em suas minas de Ontário, Canadá. Para superar esta dificuldade, a empresa lançou na internet um concurso global com prêmio em dinheiro para as idéias que mais contribuíssem para a procura de novas jazidas. A resposta surpreendeu até os seus idealizadores ao perceberem que não só geólogos submeteram idéias, mas também cientistas da computação, matemáticos, físicos e leigos em geral. Com as idéias enviadas pela internet, a Goldcorp encontrou jazidas de ouro em quantidade suficiente para aumentar seu faturamento de US$ 100 milhões para US$ 9 bilhões.

Todos estes casos mostram como o modelo colaborativo pode ser de grande utilidade para o mundo corporativo. Este é um novo paradigma da sociedade moderna, onde o bem de maior valor é a informação e onde praticamente todos tem acesso a uma quantidade imensa de informação com muita facilidade. Pessoas que nunca teriam contato com certos tipos de conhecimentos, acabam se transformando em “conhecedores por hobbie”, geralmente auto-didatas.

Hoje em dia existem inclusive sites como o Innocentive, que buscam um modelo de criar os laços entre pessoas que precisam de inovações e aqueles que podem criá-las. Em um modelo bem parecido ao usado atualmente em sites de “aluguel de programadores”. Neste tipo de site, aqueles que precisam de soluções/inovações publicam no site o que exatamente estão precisando e qualquer usuário do site pode oferecer idéias como um free-lancer, sem um vinculo direto à empresa.

Como tudo, este modelo demorou um pouco para aparecer aqui na terra-brasilis. No entanto, chegou de uma forma bem interessante e inusitada. Como muitos sabem, o brasileiro David Neeleman, fundador e CEO da JetBule (uma compania aérea de baixo custo nos Estados Unidos), anunciou que iria abrir uma compania nos mesmos moldes no Brasil. Neeleman resolveu utilizar a colaboração para moldar seu novo empreendimento ao gosto dos seus futuros clientes, o povo brasileiro. A alguns meses, colocou no ar o site http://www.voceescolhe.com.br onde os futuros usuários da empresa puderam ajudar a escolher seu nome e hoje este resultado foi apresentado. Com mais de 108 mil pessoas cadastradas e mais de 27 mil votos, a indicação de nome escolhida pelos executivos da empresa foi AZUL.

O site da empresa de Neeleman também afirma que a colaboração não acaba por aqui. Citando palavras do próprio site: “você poderá escolher além do nome, a imagem corporativa, uniformes e vários outros detalhes do produto.”

É interessante ver como a colaboração sai apenas dos mundos acadêmico e do software livre e começa a conquistar empresas e corporações. Isto mostra como a era da informação está modificando os costumes, rituais e procedimentos de um mundo que girou em torno das grandes corporações por todo o último século. A cultura da informação está trazendo o foco novamente para os indivíduos, onde o importante é atender o que o cliente quer e não mais fazê-lo escolher apenas entre os produtos que você quer disponibilizar.

Algumas leituras interessantes sobre o tópico são o livro “Wikonomics: Como a Colaboração em Massa Pode Mudar o Seu Negócio” (2007 Tapscott, Don - Editora Nova Fronteira) e a matéria “Empresas usam conceito ‘wiki’ de criação coletiva para inovar” da Folha de São Paulo de 26/04/2007


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Por Mário Meyer em 06/05/2008 - 5:58     (Permalink)

   

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